E me entregando a esses anseios, ignorando tudo o que já fui e vivi, desordenadamente parti em busca de uma mudança que eu sabia que não era pra mim.
Achei que eu mesmo construiria o castelo que considerava ideal, independente de tudo e de todos, dependente apenas de mim e meu trabalho.
Simplesmente esqueci que tinha uma essência.
Simplesmente abandonei o que era de minha posse, privilegiando as coisas emprestadas.
Simplesmente esqueci que pra ser feliz, não me bastava apenas minhas escolhas, mas que às vezes, também devia ser escolhido.
Enfim, os anseios aleatórios me fizeram cair em armadilhas graves e caminhos sem volta.
Perceber que não sou o centro do universo já pode ser um bom caminho a seguir.
Quem sabe, estabelecendo a harmonia entre levar e me deixar levar, eu não reencontre tudo o que me faz tanta falta?
Peço licença e me aproprio das belas palavras de uma grande amiga: “O mais importante é notar que o que foi deixado lá dentro é a razão de tudo, e não o que foi buscado lá fora. Muito menos quem saiu. Este é só objeto de vicissitude que, se vier, vem pra deixar voar.”
E depois de tudo isso, percebo o quanto é difícil falar em primeira pessoa.
Ainda que saiba bem que todos os verbos que direciono pra mim, são, no fim, conjugados sempre em terceira.
Boa sorte, eu.
André Finhana







